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O Afrotonizar.lab é uma plataforma de articulação de encontros que se propõe ao exercício de imaginação política e produção de narrativas descolonizadas. Através da liberação da capacidade criativa, intuitiva e radical, propomos dinâmicas para pensar o mundo além dos moldes de violência que já conhecemos. A proposta é buscar experimentar a construção de poéticas, mergulhar em memórias e expressar artisticamente subjetividade de corpes negres e indígenas.  

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EDIÇÃO 2

Se as águas doces do Brasil podem chegar à África pelos céus, também a sabedoria de nosso povo pode nos alcançar no Brasil através dos céu. Nego Bispo, 2023

Somos a presença do Rio!

Confluências e Fabulações Líquidas é um convite para mergulhar nas águas dos sonhos radicais e coletivos de libertação. Fruto dos encontros do Afrotonizar.Lab, esta exposição aposta na fabulação como força motriz dos processos de experimentação artística a partir de perspectivas contracoloniais. Neste movimento de aquilombamento e aldeamento, navegamos por um espaço seguro para a criação artística de pessoas negras e indígenas.

Em uma imersão criativa e formativa, os artistas foram incentivados a investigar os modos pelos quais percebemos e moldamos o mundo, desbravando zonas fertilizadas pelos mistérios da condição de vivente. Durante o processo de imaginar outras cenas de mundos (im)possíveis, as estratégias de livramento se fizeram presentes no exercício de práticas de construção de imaginários onde a diferença cultural não é desenhada pela separabilidade, mas sim pela viabilidade de co-criarmos e existirmos para além das violências do Mundo Ordenado. 

O projeto pedagógico do Afrotonizar.Lab propôs exercícios criativos de ativação das memórias ancestrais que se aproximam, costurando e projetando imagens de futuros através de suas práticas artísticas, utilizando diferentes linguagens. As obras expressam a inseparabilidade dos elementos, onde a água, a terra, o fogo e o ar podem ser sentidos através do som, da imagem e da intuição. São obras que se movimentam e se conectam diretamente com quem se abre para a experiência de ativar outras formas de enxergar o mundo que nos é imposto pela determinabilidade. De modo espiralar e confluente, as fotografias, pinturas, esculturas, têxteis, instalações sonoras e visuais compõem a coletiva, propondo um novo olhar para a cena contemporânea e suas práticas curatoriais.

Esta exposição é, sobretudo, um gesto de cuidado entre nós, pessoas negras e indígenas, pois ela só se torna uma realidade pela partilha generosa e a troca íntima de experiências de cada artista residente e convidado, que doou um pouco de si e dos seus, para podermos, juntos, festejar um grande acontecimento: nossas existências e criações.

Nesta travessia, fomos líquidas, barcos, meios e caminhos, criando e inventando modos de ser e estar, que abrem caminhos para mundos além das fronteiras da gramática ocidental e da violência moderna. Somos presenças contemporâneas de ancestrais que provocaram rupturas transtemporais. Nossa jornada é pela continuidade cósmica, infinita e transcendente dos nossos ancestrais. Apostamos que, no mergulho, poderemos adentrar pelos mistérios e segredos da vida com coragem.

Naymare Azevedo

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Ficha técnica:

Atriz: Joa Assumpção
Direção: Naymare Azevedo 
Assistente de Direção: JeisiEkê de Lundu 
Direção Criativa: Naymare Azevedo, Adu Santos  e Cíntia Guedes 
Direção de Fotografia: Luan Teles 
Drone: Bruno Preto 
Montagem: Easy Vice 
Figurino: JeisiEkê de Lundu 

ARTISTAS

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 Agojy de Exu Tupinmbá 

 Alma 

Afro-indígena, não binárie, gorde, maranhense, filhx de Exu e Pai Tupã, Agojy acredita no som como um poderoso elemento de conexão ancestral. Sua arte vai além da música, despertando consciências e utilizando a “feitiçaria do som” como uma ferramenta de retomada identitária e resistência cultural.

DJ pesquisadore, designer de som, arte educadore e compositore, desde 2017 Agojy desenvolve o projeto “Corpas Dissidentes: Potências Políticas para a Cena Contemporânea”. Essa iniciativa investiga as potencialidades políticas e estéticas de corpos dissidentes, transformando experiências práticas em poderosas manifestações artísticas.

Diretor de arte, pesquisador e bacharelando em Artes com concentração em Cinema e Audiovisual pela UFBA, Alma explora temas como o grotesco, fantasmagorias, poéticas visuais, escritas ilegíveis, pixo e fotografia. Sua arte nasce das profundas conexões com a diáspora africana e da vibrante cultura de rua de Salvador, especialmente do bairro de Cajazeiras, onde foi criado.

Alma cria principalmente no ambiente digital, utilizando colagens, intervenções fotográficas e pintura, com um background que também inclui habilidades em computação. Sua obra é um poderoso reflexo dos atravessamentos e influências que definem sua trajetória, transformando o universo digital em um campo de experimentação e resistência.

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 Amorim Japa 

Fotógrafo e pesquisador que traz uma potente relação política com a imagem, iniciada ainda no ensino médio graças à influência de suas professoras de História, Jacira e Catarina. Esse percurso o levou a ingressar no curso de História na Universidade Católica, onde aprofundou sua pesquisa sobre memória e fotografia voltada para o povo negro brasileiro, inspirando-se na historiadora Beatriz Nascimento e sua obra “O Negro Visto por Ele Mesmo”.

Com uma abordagem que conecta saberes acadêmicos e práticas visuais, Japa desenvolve um trabalho de documentação na comunidade “Kuwait”. Seu foco é humanizar, especialmente através de retratos de crianças, simbolizando a esperança por um futuro mais humano. Compreendendo a memória como uma poderosa ferramenta de busca ancestral, seu trabalho reforça o sentimento de pertencimento e a importância do retorno às raízes.

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 Bartira Lôbo e Pinheiro 

 C1 Franco 

Artista de diversas linguagens e através da arte têxtil e trabalha técnicas como tecelagem e estamparia. A partir do tear de pente liço como meio para criação e continuidade de narrativas afrodiaspóricas, utiliza muitas cores e diferentes texturas em trabalho. A artista graduada em Design pela Universidade Federal de Pernambuco e Savannah College of Art and Design, mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia, pesquisa arte e design e suas ferramentas para inovações criativas e cria objetos de arte que permeiam entre artesanato, moda e design.

Jovem negro periférico de Cabula VI e graduando em Licenciatura em História. Cauan desenvolve uma pesquisa focada na ancestralidade e no apagamento histórico das pessoas negras no território, com o objetivo de democratizar esse conhecimento essencial para a história do povo negro brasileiro. Influenciado por colegas e professores da universidade, ele usa a fotografia como ferramenta para dar visibilidade à população negra e ao cotidiano de espaços geográficos “desfavorecidos”, revelando a potência e a beleza dessas realidades.

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 Dani de Iracema 

Mãe e artista multidisciplinar cuja prática artística entrelaça memórias, fabulações e retomadas. Sua pesquisa explora narrativas autobiográficas e práticas artístico-pedagógicas transitando entre corpo, imagem e palavra.

Entre seus projetos autorais se destacam: o projeto Sertão Sankosa (2024); o solo performático “Memórias Imaginadas das Terras por Onde Andei”; a idealização e coordenação do “Escuro Fértil” (2020), oficinas-rituais de autorretrato e fotoperformance para mulheres negras e indígenas. Licenciada em Dança pela UFBA, Dani também integra o programa Práticas Desobedientes.

Nascida em Vitória da Conquista, ela vive e trabalha em Salvador, onde cria e se dedica às suas pesquisas e vivências artísticas e pedagógicas.

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 Davi Cavalcante 

 Emanoel Saravá 

Artista multidisciplinar, pesquisador e curador. Graduado em Comunicação pela UNIT e pós-graduando em Teatro do Oprimido na UFBA. Possui uma produção artística acerca da comunicação, do corpo e temas relacionados. Utiliza fotografia, performance, audiovisual, colagem, instalação, entre outras linguagens, suportes e técnicas, acreditando que o suporte é auxiliar no conteúdo da obra. Com uma circulação global, seu trabalho já foi premiado em 1º lugar no 27º Salão dos Novos (Aracaju, BR) e também participou da Creative Residency Cine Luso 2019 (Bruxelas, BE). Atualmente integra alguns acervos públicos, incluindo Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe e Fundação Cultural Cidade de Aracaju. Nasceu em Aracaju (Brasil) e entende que os territórios são apenas fronteiras, não limitando a sua circulação.

Artista multidisciplinar, natural e residente de Salvador, está no último semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Artes pelo Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC/UFBA). Em sua prática artística, explora um espaço de libertação criativa e pesquisa, buscando intersecções sensíveis, profundas e transgressoras entre o ancestral e o contemporâneo, o urbano e a natureza. Em 2023, desenvolveu Águas Marginais, um trabalho apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão da UFBA (PROEX) através do edital PIBEXA. Essa série de fotoperformances e videoperformances, inspirada pelas águas que compõem a paisagem urbana de Salvador, utiliza corpo e patrimônio histórico para criar narrativas visuais que abordam memórias, subjetividades e desafios desses corpos d’água nas margens. O projeto integra a galeria virtual do Museu das Águas Brasileiras da Universidade Federal do Tocantins (UFT), que faz parte da rede mundial de museus da água da Unesco (WAMU-NET). Em 2024, o artista participa da mostra Pensamentos Selvagens na Casa de Castro Alves, e a obra também integra a exposição itinerante Panorama da Fotografia da Bahia, que percorrerá cinco estados do Nordeste até 2025. Atualmente, ele participa da residência artística Afrotonizar, que propõe fabulações líquidas como pesquisa e poesia.

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 Gustavo Araújo 

Artista visual, vive e trabalha em Salvador-BA. Graduando do Bacharelado Interdisciplinar em Artes na Universidade Federal da Bahia.
Transita entre as linguagens da pintura, fotografia, audiovisual e
instalação, atualmente se dedicando a investigar os limites da abstração.
Desenvolve pesquisa que gira entorno da memória, corpo, materialidade e repetição, tendo como fios condutores na construção de figuras: a caneta esferográfica e encontro entre linhas e formas circulares,propondo assim
uma expansão das possibilidades técnicas da pintura em contraste com as rasuras da caneta. vivência.

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 Isha Rosemond 

 Junaica Nunes 

Artista e pesquisadora haitiana que usa vários meios para explorar a distância entre a documentação colonial e a forma de narrar a verdade cultivada pela diáspora africana. Isha está focada com as maneiras pelas quais os povos originais, juntamente com nossos relacionamentos.

Seu trabalho preserva uma linguagem codificada, capturando a essência coletiva do cotidiano das pessoas que fotografa, enquanto convida generosamente o espectador a se conectar com essas histórias. Sua pesquisa explora como os povos afro-indígenas, através de suas relações interpessoais, tecnologias espirituais e práticas de cuidado com a terra, podem oferecer respostas ao mundo, especialmente diante das mudanças climáticas.

Isha mantém um compromisso com a autenticidade, evitando o uso de IA e minimizando a edição de pós-produção. Sua prática artística explora a interação entre luz, movimento e textura, revelando a ciência e a magia da fotografia em sua forma mais pura.

Artista-de-Nascença do Quilombo Rio das Rãs, criada às margens do Rio São Francisco em Bom Jesus da Lapa-Ba, hoje vive na cidade de Salvador.

 

Junaica pesquisa sobre o modo de fazer quilombola como alternativa às monoculturas nas artes visuais, confluindo com o pensamento de Nego Bispo, Vandana Shiva e com o modo de fazer de Arthur Bispo e Rosana Paulino.

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 Kin Bissentes 

Neta da Edite, ativista, artista plástica, cofundadora do projeto itinerante caixote cultural e propulsora da primeira exposição transcentrade da UFBA, cursa licenciatura em desenho e plásticas. Como ativista, o seu objetivo é desempenhar comoções em diversas esferas sociais e fazer desses impactos, ferramentas de mudanças na própria arte, em grupos comunidade e nações. Isso está sendo feito através de suas poéticas e das prática artísticas, pesquisas acadêmica ancestrais, experimentações e vivência.

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 Ludmila Lima 

 Omibulu 

 Rayana França 

Artista visual, vive e trabalha em Salvador/BA. Iniciou sua trajetória artística através desenhos, pinturas em tecidos e graffiti, hoje transita entre as artes plásticas e visuais através da aquarela, acrílica, cerâmica e fotografia. Inspirada pelas histórias de luta de seus ancestrais, ela enxerga sua arte como uma
forma de expressão e (re)existência, com grande inspiração nas vivências cotidianas da Bahia, exterioriza em traços e cores-água o que seus olhos, corpo e sentidos experimentam, construindo a infinitude do seu universo particular. Filha do Recôncavo Baiano, berço esplêndido de resistência, luta e cultura seus trabalhos fazem atravessamentos entre ancestralidade, pertencimento, cultura e memórias.
Realizou sua primeira exposição individual na Casa da Cultura Galeno D’avelirio em Cruz das almas - BA com itinerância no Museu Galeria Hansen Bahia em Cachoeira - BA (2023). Foi artista convidada para ilustrar o Livro “Bahia, 2 de Julho: Uma guerra pela Independência do Brasil”, publicado pela editora da Universidade Estadual da Bahia - UNEB (2023), em 2024 participa da exposição “Memórias para Dona Antônia” no Acervo da laje em Salvador -BA. Também participa da exposição “Raízes: Começo, Meio, Começo” no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

Bixa preta, não binária e aquática, soteropolitana, graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Artes com concentração em Cinema e Audiovisual pela UFBA. Artista sonoro-visual, tendo o som como principal ferramenta criativa, através de processos experimentais, não normativos e performáticos, atuando na música principalmente no rap e outras sonoridades pretas, no audiovisual como assistente de som, captadora de som, microfonista e realizadora.

Conhecido como Rayo, é natural de Feira de Santana-BA, iniciou seus processos em arte ainda na adolescência, como um meio de expressão e comunicação de seus sentimentos. Atualmente, graduando em artes visuais na Escola de Belas Artes da UFBA, onde faz par te do projeto de pesquisa XILINDraw, orientado pelo professor Zé de Rocha. Tem como mote principal de seus trabalhos corporeidade e natureza em um lugar abrangente, envolvendo tanto o que chamamos de natureza humana”, quanto a que se encontra ao redor de nossos corpos. Nas suas pinturas podemos encontrar uma atmosfera surrealista, com corpos disformes associados a elementos minerais como rochas, grutas e outros relevos, em cores e cenários fantasiosos, pessoa não-binária, gênero, percepção e performance estão em voga nas suas pesquisas, se apropriando do estranho e do “medonho” para criar uma tensão questionadora das convenções normativas. Além da pintura , o artista realiza trabalhos escultóricos em argila e de animação em stop-motion e outras linguagens audiovisuais. Tem os minerais e relevos como grande fonte de interesse, estando eles presentes em suas pinturas, na escultura , no próprio material argiloso, e na Sand Animation , técnica que desenvolve juntamente com o grupo XILINDraw.

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Romário Oliveira

Possui licenciatura em Desenho e Plástica / Artes Visuais, produz conhecimento sobre artes visuais, educação e produção cultural. Desenvolve pesquisas sobre as
relações do ensino e aprendizagem em artes visuais e a aplicabilidade das diretrizes
legislativas estabelecidas a favor de uma educação para as relações étnico raciais através de formações para arte-educadores no projeto autoral “AKOBEN - Curso de Alfabetismo Visual” e em atividades de extensão Em 2024, realizou intercâmbio em na Universidade Pedagógica de Maputo (Moçambique) pelo Programa Caminhos Americanos - CAPES, em parceria com a UFMA e Ministério da Igualdade Racial. Recebeu em 2023 a primeira edição do Prêmio Paulo Freire, representando a região
nordeste pela escrita do artigo “Triangulando Saberes: Os estágios, a Residência Pedagógica e o compromisso com uma educação decolonial e antirracista” apresentado no IX ENALIC (Lageado/RS) e Prêmio das Olimpíadas de Artes Visuais da FUNARTE (2022). Integrou como pesquisador os VI° (2022) e VII° (2023) Fóruns Negro de Arte e Cultura. e realizou a produção executiva do I° Encontro de Arte Educação da Escola de Belas Artes (2023) e dos II° (2013) e IIIº (2014) Salões da Escola de Belas Artes.

FICHA TÉCNICA

Coordenação Geral: Naymare Azevedo
Curadoria: Adu Santos e Naymare Azevedo
Coordenação Pedagógica: Cíntia Guedes

Produção Executiva e Criativa: Bia Cupertino

Projeto Expográfico: Adu Santos e JeisEkê
Coordenação de Cenotecnia e Montagem: Ricardo Fernandes e  Adailton Pereira

Coordenação de Comunicação: Mayara Macêdo e Kizzy Lumumba
Fotografia e Audiovisual: Luan Teles, João Reis e Easy Vice
Pesquisador de conteúdo: Viníciux da Silva

Assessoria de Imprensa: Mariana Ribeiro, Kelly Santos e Lucas Gomes
Monitores: Lara Beatriz Bispo Lôbo Nascimento e Maíris Ayodara dos Santos Reis

Artistas:

Agojy de Exu Tupinambá, Bartira Lôbo e Pinheiro, C1 Franco, Dani de Iracema, Davi Cavalcante, Emanoel Silva dos Santos, Omibulu, Amorim Japa, Ludimila Lima, Romário Oliveira,

Gustavo Araújo, Junaica Nunes, Kin Bissents, Alma, Rayana frança e Isha.

© 2025 AFROTONIZAR

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